Nasci e cresci num ninho de cobras
Cerceado por um covil de lobos
Retirei-me em meu casulo...
Refletí. Meditei sobre as questões substanciais da vida.
Como uma borboleta atirei-me ao céu,
À sorrelfa libertei-me das prisões pungidas
Alcei vôo com a leveza própria da bravura desmedida
As setas que voam durante o dia então feriram-me as asas...
Na queda aprendí sobre o mistério do abismo
Foi então que regenerei-me e ressurgí como a Ave de ìcarus.
Desafiei o infinito do horizonte com a firmeza de um coração destemido
E cá estou eu, com meus olhos incandescentes, a mirar:
As alturas da tenacidade humana.
E então vejo:
As cobras que mordem as próprias caudas
Os lobos que mastigam suas biles salgadas
Pessoas merencórias que fitam suas próprias sombras.
*Em itálico: Alusão ao Salmo 91
Paulo Santucci