quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Pantomima de Palavras
Queria muito preencher esta página em branco
Mas não sei por onde começar
Existe algo firme como o raciocínio e lasso como o devaneio
Que paira entre o pensamento e o ato de se expressar.
Ah, se fosse fácil prescindir de meus julgamentos!
E olhar a folha e a caneta com um primeiro olhar.
Ir até o fundo da página. E desencavar...
Achar centenas de palavras como que num eflúvio,
Para com elas não pensar.
Talvez já tivesse atingido o objetivo, até o presente momento,
Ao descobrir um novo sentimento, inexprimível e sensível,
E então começar a divagar...
Pois o poeta é aquele que encontra as cores e texturas,
Para um quadro do qual não se pode pintar.
Botequim
Desce a cerveja gelada
Musa em forma de miragem,
Com gosto de rio.
Mar das emoções que não afogam
Cada gole com gosto de sede.
Oásis cor-de-sol,
Para os que miram o horizonte do deserto.
Copacabana
Já quase meia noite em Copacabana,
No percalço de seus passos ela, anda.
Ruminando com o vento, desperdiçando pensamentos
Nada a declarar sobre o que lhe encanta.

O céu raso, vestindo seu manto sombrio
As ondas do mar chouteiam, buscando lhe tragar
Mas em sua comunhão com o vento,
Não ha devaneio outro, sobre o qual ela queira pensar.

A mão da noite lhe toca os cabelos,
Apertando o vestido contra o seu esbelto corpo.
Nesta noite ela quer ser como o vento,
E sentir-se soprada sobre os outros.

A lua no céu, ponto cardeal dos desnorteados.
Luz fina que transforma escuridão em penumbra,
Mar impossível de ser tragado.

Todavia, ela ergue os olhos para o céu e segue caminhando
Vislumbra os mistérios do universo.
E enquanto caminha, segue decifrando-os
Apenas abstrai o que lhe chateia.

Na pedra do leme pára. E reflete:
Se saiu de casa para se fazer vista,
Ou para se fazer ida.