quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Alma gêmea
Olho para o céu, perdido, e busco-te no horizonte sem fim
Encontrar-te-ei nas margens devastadas, daquilo que já não pertence mais a mim
Todavia, miro os olhos em constelações aleatórias para te achar
E te imagino moldada tal qual imagina o terceiro ventrículo de meu coração.
Que distância nos separa? Quantos encontros anos-luz?
Cruzo à nado o oceano sem água. .
Olho cada mensagem dentro da uma garrafa
Realizo esforço hercúleo,
Depois regozijo-me com o sonho de uma realidade inverossímil.
E assim, volto a dormir.
Mas depois de algumas manhãs e noites seguidas,
Lá estarei eu na janela. À te procurar.
Para que então, num sonhado dia
Possamos nos perder juntos.
Escuridão
Céu escuro, que traga-me para dentro de si
Ao tentar expandir-me, sinto-me diminuído
Acolá onde as estrelas cintilam.
A visão termina nalgum lugar, algures, sem fim.
O Mistério assombra e também fascina.
O que seria ainda mais escuro do que a escuridão?
Ou seria ela própria também infinita?
Miro o horizonte-sem-fonte,
O começo entremeado com o fim.
Admoesta meus olhos para que não se percam afogados,
E traz a minha vista para dentro de mim.