quinta-feira, 6 de junho de 2019

Fonte
Sinto dor, só não sei aonde
Outrora habitava aqui um coração...
Agora palpita na fronte.
Sinto-me perdido, desorientado.
Conquanto sigo os meus passos...
Não perco de vista o horizonte.
Sinto-me cansado. Peito transpassado
Se a solidão é uma montanha a se suibr...
Dou voltas no pico do monte.
Estou fatigado. Quase metamorfoseado
Corpo de peixe. Espírito de cobra
Ó cobrador do tempo... Troco cédulas por horas
E enquanto o Hoje não termina,
Regozijo-me com o dia de Ontem.
Procuro onde a vista não alcança.
Miragens de uma mente inebriada
Pelo licor seco que não desce pela garganta.
Se o deserto é o concreto enquanto pensado
Creio (do fim) não estar muito longe
Perscrutando a razão do meu ser...
Indagações surgem como o modo que me sinto.
Não mais inteligente; nem um pouco idiota
Se a sabedoria é uma água que não sacia a sede
Estou a procura de outra fonte.