terça-feira, 7 de janeiro de 2020

Letras

Preciso de um trago,
Preciso de letras,
Ou qualquer idéia vaga,
Com gosto de certeza.

Preciso de gente,
Encontrar-me ei na balbúrdia
Só assim esquecerei,
Das palavras más, tolas e estapafúrdias .

Quero escrever demasiadamente,
Tornar-me escritor,
Mas não quero acabar:
Como Oswald Bereford.

O relógio, novo advento do tempo:
Atrasa os desafortunados pensadores barulhentos.
Quero escrever com árvores ao relento,
E doar os meus versos,
Para os engenhos de vento.

Não quero água
Mas preciso de sede,
Ou qualquer instinto,
Que não me prenda na virtual rede.

Ora sou filósofo, ora sou ator
Descobrindo cenas,
Entre o júbilo e a dor.

Não preciso de dinheiro,
Não preciso de mulheres,
Apenas que se afastem de mim,
As pessoas que mal me querem.

Preciso de frases, versos e letras
Que componham um quadro,
Pintados por cegos.
E peço aos artistas do cemitério:
Venham me velar,
Enquanto deliro certezas.

Letras, codificadas em frases,
Que sibilam no cérebro
Formam as virtudes,
Aquelas que estão,
Entre a fraqueza e a grandeza.

Todavia, não se encontram mais nas prateleiras.

                                                     Paulo Santucci