Perene
O corpo dilata-se, expande-se sob o luar,
Caráter ressequido, tendões do pensar.
Sepulcro sagrado, epitáfio dos pensamentos,
Carne degradada, pelos mais cruéis sentimentos.
Volto ao trabalho, desfrutando de alegria momentânea,
Prescrevo pílulas de felicidade,
Para momentos de insânia.
Há momentos que de nenhuma enfermidade, padeço.
No trajeto de minhas íntimas convicções, ergo-me enquanto cambaleio.
Nas meus severos auspícios, minha mortandade, amorteço.
Às vezes sou aéreo,
Às vezes sou lunar.
Bebo da água do rio,
Regurgito a água do mar.
Sobressaltado e sobreavisado,
Sei de mim mesmo o que já não esqueço,
Mas basta olhar-me no espelho,
Para ver o que nunca vejo.
Tamanha é a ilusão dos sentidos,
Fazem da carne um abatedouro de emoções,
Na garganta um mental sonido,
Reverbera-me uma sinfonia de elucubrações.
O peito é arrebatado,
Pela transitória reflexão,
Vejo-me só e tumultuado.
Resfolegado pela soberba aspiração.
Quero juntar-me aos astros,
Brilhar em harmonia em conjunto,
Não quero esperar pelo fardo,
De ser reconhecido enquanto defunto.
Esgueirar-me pelos rastros,
Que deixei ocultos.
Brincar no labirinto,
Que uma vez chamei de mundo.
Mas não há é regra para o sonho,
Como dizia o pensador,
Enfrentarei o íntimo demônio,
Sob a alcunha de salvador.
Assim então viverei meus dias,
Ébrio do êxtase e abstêmio da agonia,
Á sorrelfa de mim mesmo,
E livre da anedonia.
E então, em meu derradeiro momento solene,
Fustigado dos ossos e da vida que mente,
Escreverei sobre o prenúncio de um novo mundo,
Trancafiado num corpo perene.
Asfixiado num corpo desorientado,
Sou a alma que sente.
Paulo Santucci