O Desconhecido
O desconhecido é o que pensamos sobre o desconhecido
Ou que não pensamos sobre o que julgamos conhecer
Consequência de quando a imaginação repousa por não ousar ir adiante
A certeza só elimina as dúvidas, temporiaramente
Elimina-as para calar a vontade de perguntar,
Fazendo com que se esqueçam as perguntas,
Arguindo assim novas formas, silenciosas, de se duvidar
O tempo todo, delimita-se o desconhecido e a reafirma-se o que pouco se sabe
Como estratégia de enganar àquele que foge de seu declínio,
Mas sempre de forma que pareça sábia,
E que iluda o homem que pouco sabe, dando-lhe sonhos de grandeza
Ao que este é acordado com pesadelos, debaixo de lençóis fustigados com o óleo do ócio
Entre os altos e baixos da luta do homem pela sobrevivência,
De si próprio.
De si próprio.
O coração clama por Deus e o Diabo, enquanto o ego se queixa das intempéries da vida
A imaginação cessa e renuncia ao pacto com o Real,
E devolve ao homem o pouco que fora conquistado,
A sobriedade do ébrio,
A sabedoria do tolo,
Um pouco de dignidade, ao menos.
E força,
E força,
Que o permita continuar sonhando acordado,
Delirando certezas.
Mas chega à noite, e o homem se prostra de joelhos
Junta as mãos ao peito, como se pudesse tocar o coração
E pede a Deus o que já teria sido encontrado
Se dele não tivesse se esquecido
Pois para salvar o homem dos delírios da certeza
Ou do assombro do desconhecido,
Não há Deus ou Diabo
Quando o próprio diabo é apenas o lado perverso,
Da imaginação Divina.
Da imaginação Divina.
Paulo Santucci
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