sábado, 25 de maio de 2019

Escrever
Não queria escrever, mas só fazer um rabisco
Pois dizem que a mente que não cria é uma vivaz pantomima
Eu queria escrever mas me dizem: “deixa disso!”
Mas devoto que sou, recuso-me à apostasia
Não sei se quero escrever, falar sobre isso e aquilo
Mas ficar calado também produz ruídos.
Pensar sobre o que escrever, dizer o não-escrito
Pois muitas vezes o que eu quero já foi discorrido
Escolher sobre o que versar, no mais das vezes já está implícito
Calar-se, não!
A mente muda é uma algazarra de sonidos.
Letras que me fogem à vista, ecoam nos ouvidos
Saber etrusco? Não o tenho!
Então escrevo recorrendo somente aos sentidos!
Do covil da alma, eis que brota uma semente
Girassol ao fim do labirinto.
Resplandece sobre o que está escrito
Se não escrevesse talvez me tornasse:
Ignorante sobre como eu me sinto.
Paulo Santucci

terça-feira, 14 de maio de 2019

Vazio Esquecido

Vazio esquecido,
que trago comigo,
é tal qual a um livro
que não se pode folhear.

Vã filosofia,
(mas beira à teimosia!)
que para àquilo o que há além do umbigo
insiste em imaginar.

Incessante tautologia,
(incansável, quebradiça)
...que busco em palavras vazias
No ato de me expressar.

Mas, todavia,
É na busca pelo sentido
(Trabalho árduo, desprovido!)
Mas que aguça o ouvido,
Que no meio de tantas mentiras,
Alguma verdade tenta escutar.

Ó mundo sombrio,
Peremptório,Sublime, maldito!
Que relega ao seu habitante
O trabalho (tenaz!)
De viver para pensar.

Ó mundo sombrio,
(feérico, sublime, maldito)
Em que para além do Vazio,
Existe um Paraíso,


Impossível de se alcançar.

domingo, 5 de maio de 2019

Admoestação

Eu sou subentendido
o que eu falo é implícito para a cabeça
e explícito para o coração.

Na minha boca não cabe um siso
por causa de tudo aquilo que eu repito
e que já sei de antemão.

Todavia, não ando em círculos
mas também não ando reto
no caminho que me leva a razão.

No passado eu procuro,
tudo aquilo que foi perdido
e que no presente não encontro,
talvez por falta de coesão.

Todavia carrego comigo,
e, conquanto, trago escrito
na palma de minha mão.

Talvez sejam os versos não-escritos
que sibilam na língua mal dita,
do pensador arrependido
por não ter ouvido sua própria admoestação.