domingo, 5 de maio de 2019

Admoestação

Eu sou subentendido
o que eu falo é implícito para a cabeça
e explícito para o coração.

Na minha boca não cabe um siso
por causa de tudo aquilo que eu repito
e que já sei de antemão.

Todavia, não ando em círculos
mas também não ando reto
no caminho que me leva a razão.

No passado eu procuro,
tudo aquilo que foi perdido
e que no presente não encontro,
talvez por falta de coesão.

Todavia carrego comigo,
e, conquanto, trago escrito
na palma de minha mão.

Talvez sejam os versos não-escritos
que sibilam na língua mal dita,
do pensador arrependido
por não ter ouvido sua própria admoestação.

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