sexta-feira, 20 de março de 2020

Rindo com os loucos
Toda dia a luta se entrava,
No raiar das trevas meu ego se engaja,
Nas adstritas glebas do conhecimento, eu espero
Vislumbrar o ócio do tempo em seu pretérito.
Sabedoria talvez seja repetir a si mesmo,
Tudo aquilo tragado pelo vil esquecimento,
Que faz das memórias, águas passadas jorradas a esmo
Endurecidas como lágrimas, tão duras como cimento.
Repaginados os atos, de bravura e loucura,
Na parábola do semeador, colho a semeadura.
Nunca disseram-me que a vida é mole, tão pouco tão dura
Dar-me-ão a posse de mim mesmo, assim que me abster da investidura.
As paredes do hospício enclausuram os doentes,
As paredes do confessionário confessam as palavras dos penitentes,
O orador e o curador, em modos opostos se assemelham
Ao deixar seus espectadores mais ou menos contentes.
Nos labirintos de asfalto
Mundos opostos se atraem,
Transeuntes, andando em círculos, cruzam os seu percalços,
Levitando não na água, mas na margem.
E fico eu na janela,
Vendo a vida passar tal qual uma novela,
E para saborear o gosto acre do meu tempo,
Dedico-me á:
Entender os pormenores do pensamento
Amiudar as intempéries do sentimento
Engajar-me no obscuro discernimento
Para da sã loucura regozijar-me com meu entretenimento.

Paulo Santucci

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