O tempo e o tédio
Deus pune
os idiossincráticos com o tédio. Já é tarde de noite, e espero pelo amanhecer.
Os ponteiros estão aquém para onde gostaria que apontassem.
Parece-me
que o tempo durante a noite transcorre de forma diferente e todos os relógios
são confusos e inexatos para marcá-lo, mais valendo como uma imagem da
debilidade da mente racional e consciente em tentar entender o ininteligível,
medir o imensurável e definir com precisão o que é impreciso, por natureza.
Acontece
que o tempo não é o uniforme para todos, sobretudo para os que cometem o
sacrilégio de esperar o tempo passar. Estes, Deus pune com o tédio.
O que
fazer? O que pensar?
Já
correspondi-me no nível de minhas certezas o suficiente, para aceitar,
aquiescendo-me com a fadiga, que meu esforço é inútil, e que tudo aquilo
que sinto, quando penso, é semelhante à fruta mastigada, que do frescor
original só possui a lembrança, mas não o sabor.
Paulo Santucci
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