quinta-feira, 17 de maio de 2012


O tempo e o tédio

Deus pune os idiossincráticos com o tédio. Já é tarde de noite, e espero pelo amanhecer. Os  ponteiros estão aquém para onde gostaria que apontassem.

Parece-me que o tempo durante a noite transcorre de forma diferente e todos os relógios são confusos e inexatos para marcá-lo, mais valendo como uma imagem da debilidade da mente racional e consciente em tentar entender o ininteligível, medir o imensurável e definir com precisão o que é impreciso, por natureza.

Acontece que o tempo não é o uniforme para todos, sobretudo para os que cometem o sacrilégio de esperar o tempo passar. Estes, Deus pune com o tédio.

O que fazer? O que pensar?

Já correspondi-me no nível de minhas certezas  o suficiente, para aceitar, aquiescendo-me  com a fadiga, que meu esforço é inútil, e que tudo aquilo que sinto, quando penso, é semelhante à  fruta mastigada, que do frescor original só possui a lembrança, mas não o sabor.

Paulo Santucci

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