Pérfida e espúria,
A mentira lhe cerra os lábios,
A dissimulação lhe forma o rosto,
Suas palavras são adocicadas,
e sua doce lábia destila o veneno do verbo, da mesma maneira
que as abelhas
fazem com o mel.
É a mentira contada antes da verdade,
É o abraço, precedido do punhal.
Seu perfume, feito com pétalas de rosas que crescem sobre
o túmulo
Retira o oxigênio de quem o inala, dando ao ofegante
somente o suspiro
Sua voluptuosidade é etérea, paira no ar, mas se desmancha como a fantasia
Mesmo a sinuosidade do seu corpo tem firmeza,
Sua beleza em curvas convida o olhar para uma incursão que
se perde em voltas
Suas ideias, fúteis, fazem com que o raciocínio do maior
dos sábios,
perca-se em dúvidas, sinuosas
É capaz de ludibriar a alma de um homem,
É capaz de provocar o adultério
Do homem com a sua alma
Sua lábia é o convite para a mentira
Sua boca não só engana, mas range o equívoco
Seu reflexo sim, é real.
É a parte mais concreta de seu ser
É a imagem grudada nas retinas do seduzido
É reminiscência no sonho do enganado, adormecido.
Paulo Santucci
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