segunda-feira, 18 de junho de 2012


Relacionamento

A proximidade confunde. Mistura coisas indissolúveis, não o suficiente ao ponto de formar um composto harmonioso, mas ao ponto de confundir compostos que são pouco harmoniosos enquanto sós, mas extremamente caóticos enquanto um.

Um relacionamento são dois espelhos, um em frente ao outro, que servem para tudo, menos para aproximar a realidade do objeto visto. São espelhos que refletem o imaginário, o plano da ideação, em que pode ser vista somente uma imagem, formada por duas telas sobrepostas, aonde  integram-se o outro, como verdadeiramente é, e como é visto pela deformidade de quem o vê.

No relacionamento um termina aonde o outro acaba. Na perspectiva dos cônjugues, não se sabe o que é o fim ou o começo, pois viveu-se tanto tempo na interseção, que perdeu-se a totalidade do conjunto.
A interseção é a limitação consentida inconscientemente. É o espaço que permite o trâmite de um ou do outro, ação e reação, dínamo constante da paixão, ou das mais diversas emoções.

É um tratado amistoso, aonde forças antagônicas abaixam as armas para desfrutar do território em comum, dito ‘neutro’. Mas dure o tempo que for, das fardas nunca se perdem os emblemas, tampouco a hierarquia e posição em relação aos generais.

Relacionamento também pode ser prolongamento da solidão. Duas metades que se dividem e formam quatro. Apenas uma forma de se distrair, alguma nova forma de estar só, em comunhão.

Paulo Santucci

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