sexta-feira, 15 de novembro de 2019

Homem da rua
Ali jaz um corpo vivo
Bem no meio da calçada. Entre os carros e os transeuntes
Suas raízes fincam o solo
O chão é o seu lugar, lugar qualquer e lugar nenhum
Ali está um homem aflito
Bem no meio da praça, ao figurar o seu lugar entre os que passam
Não pertence a ninguém. Suas raízes morais o prendem no subterrâneo
O chão é o seu dormitório, e tudo o mais na sua vida: transitório
O homem da rua envelhece sob o olhar de muitos
Alguns lhe dão atenção, outros, augúrios
“O que fez para estar nesta condição. Certamente, merece”
E é nesses momentos que a Cristandade padece.
O homem da rua é pior visto que os ratos.
(Mesmo esses ocupam espaço com o medo que causam)
O homem da rua é pior visto que as baratas
(Mesmo essas causam alvoroço nas moças que passam)
E ele continua ali. Implorando, mendigando, se arrastando
Sua barba cresce com o tempo: só faz aumentar a sua sombra
Sombra que o serve de alento e esconderijo,
Está sempre escondido, mesmo quando por muitos, visto.
Às vezes tem por companhia uma garrafa
Ás vezes tem por regozijo um prato de comida
É o maior espectador da vida social,
Contudo, o personagem mais subestimado da vida moral.
E vida que segue.
Quem liga para o que acontece,
Com um homem que certamente tem o que contar sobre a vida
E que reside no labirinto formado por ruas e avenidas.

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