Prólogo do coração
Algum talento em dizer por vias tortas,
Sobre os mistérios que passam pela aorta,
Sem prumo, vagueando alhures, sem rota,
Palpita-me no cérebro aquela emoção que denota:
(algum sentimento furtivo)
Há algo a dizer, que talvez já tenha sido dito
Um sussurro, um grito, ao pé do ouvido.
No plano mental uma algazarra de sonidos.
Ao pé da cama, o joelho toca o chão,
Tímido ao falar com os astros, esbravejante em comoção,
Há de se pedir:
Desvanecer-se o inferno e o apetite de glutão,
Que consumindo minhas internas palavras,
Faz-me perder o tino da razão.
Encontrarei sentido na mixórdia,
Que pulsa firme na carótida,
Dentro da garganta uma potencial rapsódia,
Para descrever um eu onírico, fora de órbita.
Para comigo, não tenho segredos,
A escuridão vejo com meus olhos crus, tanto que até desconheço:
A claridade que cega é a obscuridade do relampejo:
Do verbo cruel,
Feito da carne que em mim, amorteço.
Os dias são passados,
O presente é obscuro
Um momento inesperado,
É necessário,
Para ter o que vislumbro.
No jogo da sorte basta rolarem os dados,
Para se ter a quantia que procuro,
Para saber a quantos passos largos,
Estou distante do futuro.
(Até lá viverei meus dias,
Com a glória de um infante,
Mas com o pesar do luto.)
Paulo Santucci
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