Camaleão
Ao invés de falar sozinho,
Resolví falar comigo,
Adentrando uma fina penumbra,
Donde construí meu abrigo.
Resolví falar comigo,
Adentrando uma fina penumbra,
Donde construí meu abrigo.
Paciente de muitas dores,
Amante de poucos amores,
Pela senda do insondável,
Vislumbrei sonhos aterradores.
Amante de poucos amores,
Pela senda do insondável,
Vislumbrei sonhos aterradores.
Sempre em pauta com o senso ético,
Camuflando na existência como um réptil,
Liberando loucura, ao abrir da mente o alçapão,
Medonho destino, de viver como camaleão.
Camuflando na existência como um réptil,
Liberando loucura, ao abrir da mente o alçapão,
Medonho destino, de viver como camaleão.
Cego das luzes evidentes,
Clarividente da luz oculta,
Não há mais o que discernir, entrementes
O vão que separa a sanidade de loucura.
Clarividente da luz oculta,
Não há mais o que discernir, entrementes
O vão que separa a sanidade de loucura.
Saudosa luz da penumbra,
Que nos tempos de adolescente,
Com a razão fazia permuta,
Com o coração a tudo, abrangente.
Que nos tempos de adolescente,
Com a razão fazia permuta,
Com o coração a tudo, abrangente.
Mudo de cor, mudo de dor
Através da metamorfose metafísica,
Enceno a vida tal qual um ator,
Que esbraveja com asma, bronquite e tísica.
Através da metamorfose metafísica,
Enceno a vida tal qual um ator,
Que esbraveja com asma, bronquite e tísica.
Tão logo me acham,
Tão cedo me camuflo.
Tão tarde me rasgam,
Torno-me um eloquente mudo.
Tão cedo me camuflo.
Tão tarde me rasgam,
Torno-me um eloquente mudo.
Assim vão se passando as noites,
Assim vão se passando os dias,
Mesmo sendo animal não sou dado a açoites,
Mesmo sendo escuridão,
Não abandono a luz que me cria.
Assim vão se passando os dias,
Mesmo sendo animal não sou dado a açoites,
Mesmo sendo escuridão,
Não abandono a luz que me cria.
Tampouco cansado,
Tão pouco vivaz,
Melhor ser um camaleão camuflado,
Do que um inconveniente loquaz.
Tão pouco vivaz,
Melhor ser um camaleão camuflado,
Do que um inconveniente loquaz.
E assim, conto as estrelas que caem,
Pelo universo quântico,
Sou um camaleão que aos outros distrai,
Camuflado num poeta romântico.
Pelo universo quântico,
Sou um camaleão que aos outros distrai,
Camuflado num poeta romântico.
Paulo Santucci,
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