segunda-feira, 22 de junho de 2020

Passageiro
Perscrutando minha existência,
Sob o alpendre da luminescência,
Fazendo uso de minha lânguida inteligência,
Retorquindo o Verbo com o meu pensar.
Com um pingo de decência,
Desnudo-me com displicência,
Só e comigo na minha ausência,
De mim procuro-me esgueirar.
Nos preâmbulos da consciência,
Quito a mental pendência,
Escrutinando com incongruência,
Meu ser enquanto estou a filosofar.
Discordando com anuência,
De toda rudimentar ciência,
Que paira como advertência,
Coibindo o modo de me expressar.
Exprimindo-me por conveniência,
Na semântica da não-correspondência,
Pelo ímpeto da providência,
Designo-me por linhas tortas afalar.
(Grito aturdido seco e rouco,
Se não for falado torna-nos loucos,
Na garganta há um morro,
Em que só se sobe ao versar)
Assim, há de se viver a experiência,
Existente na inconsciência,
Que por intermédio transferência,
Através de idéias vagas se põe a concatenar.
Rumo a transcendência,
Do conhecimento e de minha intransigência,
Que sobre todas as perenes aparências,
Que do saber, tento ocultar.
Mente parada é demência,
Verbo imperativo com reticência,
Há de se pedir clemência,
Pela preguiça de não declamar.
Assim, defiro com veemência,
Da passageira turbulência,
Que o ato solitário da renitência,
Que me coage a postular.
Paulo Santucci

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