Passageiro
Perscrutando minha existência,
Sob o alpendre da luminescência,
Fazendo uso de minha lânguida inteligência,
Retorquindo o Verbo com o meu pensar.
Sob o alpendre da luminescência,
Fazendo uso de minha lânguida inteligência,
Retorquindo o Verbo com o meu pensar.
Com um pingo de decência,
Desnudo-me com displicência,
Só e comigo na minha ausência,
De mim procuro-me esgueirar.
Desnudo-me com displicência,
Só e comigo na minha ausência,
De mim procuro-me esgueirar.
Nos preâmbulos da consciência,
Quito a mental pendência,
Escrutinando com incongruência,
Meu ser enquanto estou a filosofar.
Quito a mental pendência,
Escrutinando com incongruência,
Meu ser enquanto estou a filosofar.
Discordando com anuência,
De toda rudimentar ciência,
Que paira como advertência,
Coibindo o modo de me expressar.
De toda rudimentar ciência,
Que paira como advertência,
Coibindo o modo de me expressar.
Exprimindo-me por conveniência,
Na semântica da não-correspondência,
Pelo ímpeto da providência,
Designo-me por linhas tortas afalar.
Na semântica da não-correspondência,
Pelo ímpeto da providência,
Designo-me por linhas tortas afalar.
(Grito aturdido seco e rouco,
Se não for falado torna-nos loucos,
Na garganta há um morro,
Em que só se sobe ao versar)
Se não for falado torna-nos loucos,
Na garganta há um morro,
Em que só se sobe ao versar)
Assim, há de se viver a experiência,
Existente na inconsciência,
Que por intermédio transferência,
Através de idéias vagas se põe a concatenar.
Existente na inconsciência,
Que por intermédio transferência,
Através de idéias vagas se põe a concatenar.
Rumo a transcendência,
Do conhecimento e de minha intransigência,
Que sobre todas as perenes aparências,
Que do saber, tento ocultar.
Do conhecimento e de minha intransigência,
Que sobre todas as perenes aparências,
Que do saber, tento ocultar.
Mente parada é demência,
Verbo imperativo com reticência,
Há de se pedir clemência,
Pela preguiça de não declamar.
Verbo imperativo com reticência,
Há de se pedir clemência,
Pela preguiça de não declamar.
Assim, defiro com veemência,
Da passageira turbulência,
Que o ato solitário da renitência,
Que me coage a postular.
Da passageira turbulência,
Que o ato solitário da renitência,
Que me coage a postular.
Paulo Santucci
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