terça-feira, 26 de maio de 2020


Solidão
Solidão é o lado oculto da lua,
Tentar conhecê-la,
É discernir o eu sob a luz da penumbra.

Mil palavras vêm à mente,
Nenhuma é exata para defini-la
Destemido e desbravado,
Aquiesço que é melhor sentí-la.

Vazio preenchido,
A metade incompleta de meu ser,
Solitário e obscurecido,
Busco formas de me entreter.

Solidão que escapa aos sentidos objetivos,
Na adstrita gleba se faz conhecer,
Porque estar só mesmo na companhia de muitos,
É um aspecto intrínseco da parcialidade do Ser

Procuro num livro um refúgio,
Uma distração para a sofreguidão,
Pois estando comigo, só e no mundo
Não posso escapar da solidão.

Ah pungente vastidão
Dessa companhia inaudita,
Dama secreta dos mistérios do coração.

Ah, mas quantos estratagemas eu me lancei,
Para buscar fugir da sua singela dor,
Repleto de si mesmo muitas vezes me tornei,
Mas nunca imune ao seu dissabor.

Viver é sinônimo de vulnerabilidade,
Não estamos isentos da padecer de nós mesmos,
Mas evitando a mentira e a maldade,
Um futuro melhor vislumbro e conheço.

Estados de momentâneos da alma,
Momentos em que quase se perde a calma,
Fugir é ir na estreita reta que leva a direção,
Do male para o qual não é remédio ou solução.

Então, sento-me e escrevo
Sabendo que o imprevisto não encontra óbice,
Também presumo que é melhor estar vivo e aflito,
Do que afortunado pela morte.



Paulo Santucci

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