terça-feira, 26 de maio de 2020

Dias chuvosos

Dias chuvosos,
Não são nada tenebrosos,
A não ser quando relampeja ,
E ai da alma malfazeja
Que ao perder o espetáculo da natureza
Procura se afugentar!

Dias chuvosos,
São um pouco umbrosos,
Mas bendito seja,
Aquele que encontra aconchego,
No barulho das gotas do oceano do céu,
Um lugar para se acalmar.

Gotas infinitas,
Tilintam nos ouvidos,
Como doce ruídos,
Um tanto quanto frios,
Que faz a alma se pavonear.

A água bate no solo,
A alma encontra a solidão,
A névoa obscurece a visão ,
Trazendo para si o óbvio:
Que a chuva não traz o medo de se molhar.

Fulgente como o trovão
Que já sabe de antemão
Aonde aterrissar,
Somos nós quando chove.
Pois são nos dias chuvosos,
Que voltamos para dentro,
Nosso tímido olhar.

No cobertor um abraço,
No coração um leve descompasso,
Dos furiosos relâmpagos,
Que caem no âmago,
Para o espectador os vislumbrar.

Há de chover,
Para a alma se aquecer,
Dos problemas se esquecer
E ao cair do entardecer,
Dormir com uma intempestiva canção de ninar.

Paulo Santucci

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