O gosto da loucura
Gosto amargo,
Quando penso, demasiado.
Nas palavras que escapam aos dentes,
Sinto o gosto com língua de serpente.
Nunca só, mas um pouco atordoado,
Quando tomo minha cerveja, relaxado.
Na busca de uma razão oculta e evidente,
Ouço a verdade quando ela mente.
O fogo de Prometheu no fígado alimenta,
A concatenação que sob a lógica se aparenta.
Na busca pela palavra exata,
Sibilo sons com gosto de bravata.
Impávido e renitente,
Penso o verbo que não se sente.
Pragmático e incansável,
Engulo o verbo insondável
Mastigando líquido insolúvel,
Bebo o néctar do augúrio.
O desejo é incessante e implacável,
Calça os meus pés, e urge de modo inexorável.
Trocando as retas pelas curvas,
Ando em frente sem sentir tontura.
Tramitando na vã razão obscura,
Aprecio o gosto da loucura.
Paulo Santucci
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