Finito
Desnudando o mundo,
Com apenas um par de olhos,
Admirável é o assombro,
Que me toca os ossos.
O universo é incomensurável, infinito,
Já eu tenho fim, e solitário, gravito.
Mais infinitas são também as indagações,
Que atravessam a humanidade, comuns à todas às gerações.
Uma vez que tenho fim,
Porque tão difícil conhecer-me a fundo?
O mundo que percebo também percebe a mim.
Mas sou apenas um, vivendo só, neste mundo.
Mesmo tendo companhia, caminho só e sem pares,
Impertinência e imaginação são sempre familiares,
Os astros brilham e deixam-me só sob o brilho oculto,
Olhar para cima ou para dentro, é o covil do submundo.
O infinito esmaga quando abate a fronte,
E perdido em minha órbita, fico cego quando miro o horizonte.
No céu as estrelas brilham, e com seu brilho inspiração,
Tanto serve para o bem quanto para a perdição.
Pois o universo é imperioso e não admite ser subestimado,
E quanto mais me inspira, mas ainda me sinto aprisionado.
Prisão etérea, de pensamentos que buscam concatenação:
Maldito universo,
Misteriosamente me atina,
Cobrando-me reflexão.
Mas sou apenas um, só e com limites,
Porque então consternar-me quando a magnitude me aflige,
Seria soberba temer algo maior do que meu eu
Deveria então venerar Buda, Krishna ou Deus?
Mas se para o homem primitivo o fogo era um ser sagrado,
E que vivia sem úlcera, postergando sua existência aos astros,
Egoísta sou, dentro de meu filosófico primitivismo,
Tentando deixar minha trilha de rastros,
Através de um método racional e introspectivo.
Ah, mas esse universo que a todos abrange
Infinitude que inspira, amaldiçoa, constrange.
Deveria contentar-me com a estupidez possível,
E assim fazer-me menos perguntas,
Ou contentar-me com a sabedoria inverossímil,
Num universo onde nada é dado, e que tudo, permuta.
Soberba derradeira, nos meus olhos pequeninos,
Minhas mãos tateiam o ar mas nada, atinjo
Perdido entre cometas e constelações,
Preencho e a mim e ao que vejo com dúvidas e indagações.
Universo que castiga, pune e age,
Sobre qualquer um que o subestime com a indiferença do ultrage,
Sei que minha ação é pensada e não retroage,
Então melhor pensar só sob a alcunha do astro que me abate,
Nasci sob uma égide, fadado ao signo
Personalidade insana, a mim não admito
Então lanço para o ar a idéia que atino,
Seguindo com a visão os astros que mesmo na imaginação não atinjo.
Não me sinto nem nunca me achei sábio,
Mas já descobri que não há diferença entre um bloco de notas ou um alfarrábio,
Quando trata-se de discernir o julgo dos astros,
Porque na verdade é que realmente me sinto aflito,
Quando perco-me de mim no universo infinito.
E assim calcando o verbo, tenaz e rijo,
Desdenho o universo e agarro-me ao que sinto.