quarta-feira, 20 de julho de 2022

 Alturas

É ruim,
Quando se olha para baixo ou para cima e vê-se um beco.
Outrossim,
Sentir no palpitar do coração o ritmo certo do aperto.
Há momentos que não reconheço,
Se há partes de mim que não mereço,
Ou se apenas a certeza da mente não logrou acerto.
Tão pouco, tão longe, não encontre apreço,
Nas pequenas verdades que tão logo lembro e já esqueço,
Para envaidecer-me do meu tão pouco apego.
De minha quintessência sutil,
Que reluz, enquanto esmoreço.
Tão curta é vida, quando se encurtam os horizontes,
No espelho o pesadelo, mirar-se-á onde?
Cavalgarei perdidamente nos montes,
Que me levem para outro lugar, seja perto ou longe.
Todavia, perto de mim ficar-me-ei ou não,
É questão da qual não me atenho no momento.
Se caminho na direção certo ou na contramão,
Tanto faz,
Desde que me abrigue-me em algum alento.
Seja o que for o que me apraz,
Na mente encontro a doutrina fugaz,
Que me contento com o pouco menos do demais,
E, assim, na doutrina do que abstrai,
Encontro forças para vencer o nunca mais.
Encontre-me aflito,
Encontre-me perdido,
Sei que da temperança não faço usura,
E também, que como, introvertido,
Também tenho direito às alturas.
Paulo Santucci

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