A Rainha da Lua
Deitado, no meu quarto, a mente perambula,
Os olhos cansados, por terem olhado a incandescente lua,
Eclipse amaldiçoado, de luz e penumbra,
Mistérios transladados, pernoite da busca.
Reconheci ter afigurado, semelhante medusa,
Que busca os olhares apaixonados, que se perdem, pelos bicos das ruas,
Então, eu, admoestado, segui minha simples luta,
De ver, atarantado, o fim daquilo que me ofusca.
Houvera tivesse buscado na metafísica uma solução,
Houvera tivesse me remediado da religiosa obnubilação.
Houvera tivesse solucionado o que me tange à razão,
E assim tivesse amortecido o que me pulsa a pulsão.
Ela vai e retorna,
Por caminhos dos quais não se encontram volta,
Solitária, despida e não nua,
Brilha no córtice oeste, como a Rainha da Lua.
Respostas que se seguem, repetido o padrão,
Trilhas entrelaçadas, labirintos na palma da mão,
Seria a razão do destino, uma distimia do coração?
Dizem que nada não se perde, tudo se transforma,
A mais sublime doutrina, na palavra mais jocosa,
Busque na teontologia, homem vil e mal dito,
Os destinos entrelaçados, circunscritos na mão o labirinto?
O olho esquerdo, cego e obtuso
O olho direito, miríade solar, sábio e sisudo,
Esclarecido como cego, vejo o que me ilude
Entorpecido do Verbo, torno-me vago e rude.
Se a consciência me persegue, é porque Deus a acusa,
Se o homem concede, é porque não resistiu a luta
Se a mente aquiesce, é porque no não saber-perambula,
E onde os demônios se divertem,
É onde mora,
A Rainha da Lua.
Paulo Santucci
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