O vento
Cá onde estou, a paisagem de que também sou parte
As janelas abertas. E vejo a montanha sob a luz sombria de
uma lua incandescente
Vejo as curvas de pedra, que tornam aprazível a miragem do
infinito
Mais próximo de mim os galhos de jacarandá trepidam com o
vento rutilante
Sinto-me parte de tudo aquilo, e entendo o sentido da
contemplação.
Medito com meus livros. Mas o vento não cessa de soprar.
Mesmo quanto se extingue
E de repente sinto o vento de memórias pesadas.
Sinto o vento dos que já se foram.
Sinto o vento daqueles que fazia tempo que eu não pensava, mas ainda
continuam aqui, ali e noutro lugar do universo.
Percebo então que o vento carrega tudo o que toca e para ele
nossas almas são flores levadas para brotar nas almas de todos que nos foram
próximos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário