segunda-feira, 9 de setembro de 2019


O vento

Cá onde estou, a paisagem de que também sou parte
As janelas abertas. E vejo a montanha sob a luz sombria de uma lua incandescente
Vejo as curvas de pedra, que tornam aprazível a miragem do infinito
Mais próximo de mim os galhos de jacarandá trepidam com o vento rutilante
Sinto-me parte de tudo aquilo, e entendo o sentido da contemplação.
Medito com meus livros. Mas o vento não cessa de soprar. Mesmo quanto se extingue
E de repente sinto o vento de memórias pesadas.
Sinto o vento dos que já se foram.
Sinto o vento daqueles que  fazia tempo que eu não pensava, mas ainda continuam aqui, ali e noutro lugar do universo.
Percebo então que o vento carrega tudo o que toca e para ele nossas almas são flores levadas para brotar nas almas de todos que nos foram próximos.

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