Tempo Mordaz
Aniquilou-me cada segundo,
De recém-nascido, cresci-me moribundo
Dando voltas pelo mundo,
À espera de um lugar
Viajei pelo obscuro,
Encontrei luz na sombra de um muro,
E lá, então, pus-me a pensar
Se o Presente é um momento passado do Futuro
Se o gozo da vida é tal qual o gozo do luto
Se a esperança é a lástima do homem irresoluto
Em qual caminho, então, deverei me esperar?
Tempo ansioso,
Faz girar os ponteiros de modo desgostoso
Enruga a pele, enfraquece os ossos
Assusta a vida, açoita os mortos
E traz a fadiga ao trabalho por demais ocioso.
Fico então, á espreita, dos minutos
Que se liquefazem, no relógio obtuso
As horas são traiçoeiras, os minutos são agudos
E o tempo passa ainda mais rápido, na hora de descansar.
Paulo Santucci
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